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Por que Putin pode não acudir Maduro em caso de conflito com os EUA

Por que Putin pode não acudir Maduro em caso de conflito com os EUA

Rússia e Venezuela: Uma Parceria Sob Pressão

O presidente russo, Vladimir Putin, reafirmou recentemente seu apoio ao regime de Nicolás Maduro, declarando apoio à “proteção dos interesses nacionais e da soberania” venezuelana diante das “crescentes pressões externas”. Essa declaração ocorreu após uma conversa telefônica entre os dois líderes e em um contexto de intensificação das ações americanas no Caribe, incluindo uma operação antidrogas e a promessa de mais ações por terra por parte do presidente dos EUA, Donald Trump. Maduro, por sua vez, já havia buscado apoio militar russo e chinês em outubro, solicitando armamentos e assistência técnica.

Histórico de Apoio e Limitações Atuais

A Rússia e a Venezuela mantêm um Tratado de Associação Estratégica que inclui parcerias em segurança e combate ao terrorismo. No entanto, a expectativa de um apoio militar russo robusto em caso de um confronto direto com os Estados Unidos pode ser frustrada. Nos últimos anos, outros aliados de Moscou, como a Síria, Armênia e Irã, experimentaram as limitações da capacidade russa de intervir decisivamente em crises. A guerra na Ucrânia tem consumido uma parcela significativa dos recursos russos, com o Ministério da Defesa russo indicando que cerca de 5,1% do PIB do país foram gastos diretamente no conflito ucraniano.

Lições de Aliados Anteriores

O ditador sírio Bashar al-Assad, por exemplo, precisou fugir de seu país em 2024 após uma ofensiva rebelde, mesmo com anos de apoio russo. A Rússia não interveio para salvar seu regime. Similarmente, em 2023, a Armênia foi deixada à própria sorte diante de um conflito com o Azerbaijão, com as forças de paz russas atuando apenas como mediadoras de um cessar-fogo. O Irã também sentiu a inação russa durante um conflito com Israel em junho deste ano. Essas experiências sugerem que Putin pode priorizar os recursos e a atenção para a Ucrânia, deixando aliados em situações de crise.

Interesses Estratégicos e Cautela Russa

Analistas apontam que a Rússia pode estar relutante em enviar armamentos avançados para a Venezuela por receio de que esses equipamentos acabem em mãos americanas caso o regime de Maduro caia. Essa cautela é comparada à estratégia adotada por aliados da Ucrânia em 2022, que hesitaram em fornecer armamentos pesados por medo de que caíssem nas mãos russas. Portanto, embora o discurso de apoio de Putin a Maduro persista, a capacidade e a disposição de Moscou para uma intervenção militar concreta parecem limitadas, especialmente em face das complexidades da guerra na Ucrânia e dos riscos geopolíticos envolvidos.

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