A inteligência artificial (IA) está redefinindo o conceito de casa inteligente, indo muito além da simples conectividade via Internet das Coisas (IoT). Atualmente, eletrodomésticos equipados com IA são capazes de aprender padrões de uso, otimizar o consumo de recursos e até mesmo tomar decisões de forma autônoma. Essa evolução levanta uma questão crucial: a IA realmente aprimora a experiência do consumidor no dia a dia?
A promessa é clara: mais otimização. Máquinas de lavar que dosam a água e o sabão conforme a carga, ares-condicionados que ajustam a temperatura para economizar energia. Tudo isso é possível porque a IA permite que os eletrodomésticos identifiquem padrões de comportamento dos usuários e adaptem seu funcionamento automaticamente.
Além da Automação: Como a IA Toma Decisões
Diferente de sistemas de automação que seguem rotinas pré-estabelecidas, a IA nos eletrodomésticos é capaz de tomar decisões baseadas em parâmetros e dados coletados por sensores. Renato Franzin, pesquisador do Laboratório de Sistemas Integráveis e professor da Escola Politécnica da USP, explica que essa capacidade de “decidir” é o grande diferencial. Em entrevista ao Podcast Canaltech, Franzin exemplificou com um forno que identifica o alimento inserido e sugere a temperatura e o tempo ideais para o preparo, eliminando o trabalho de adivinhação do usuário.
Menos Erros, Mais Eficiência: A Nova Relação com os Eletros
A introdução da IA nos eletrodomésticos transforma a própria relação do usuário com esses produtos. Um dos maiores benefícios é a redução do ciclo de aprendizado. Onde antes eram necessárias tentativas e erros para dominar uma máquina de lavar ou secadora – como evitar que uma roupa encolha –, a IA entra em cena para autorregular o equipamento, minimizando falhas e otimizando resultados desde o primeiro uso. Essa autoajustabilidade significa menos frustração e mais eficiência para o consumidor.
O Que Impulsiona a IA Doméstica e Quem se Beneficia no Brasil
O avanço da IA nos eletrodomésticos é impulsionado por três fatores principais: a redução dos custos de sensores, o aumento da capacidade de processamento dos dispositivos e a melhoria da conectividade. Empresas coreanas como Samsung e LG são pioneiras nesse segmento, vislumbrando o vasto mercado de alto consumo, especialmente nos Estados Unidos.
No Brasil, no entanto, o cenário é diferente. O custo desses eletrodomésticos com IA ainda é elevado para grande parte da população. Além do preço, a complexidade em fazer esses produtos funcionarem plenamente também representa um desafio para a popularização. Embora os benefícios em otimização e experiência sejam claros, a democratização da tecnologia no país dependerá da redução de custos e da simplificação da usabilidade para o consumidor médio.















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