O ‘Rei do Bolero’ e o sucesso estrondoso nos anos 70
Lindomar Castilho, nome artístico de Lindomar Lourenço, nasceu em Goiás e, após abandonar a faculdade de Direito, dedicou-se à música, conquistando o Brasil com sua voz potente e interpretações carregadas de emoção. Apelidado de ‘Rei do Bolero’, o cantor viveu seu auge entre o final dos anos 60 e a década de 1970, tornando-se um fenômeno de vendas e lançando discos simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos. Seu repertório, repleto de letras sobre amor, desilusão e boemia, embalou corações com sucessos como “Eu Vou Rifar Meu Coração”, “Chamarada” e “Nós Somos Dois Sem Vergonhas”. A faixa “Você É Doida Demais” ganhou nova vida nos anos 2000, ao se tornar tema de abertura da série “Os Normais”, apresentando o artista a uma nova geração.
O crime que abalou o Brasil e interrompeu uma carreira promissora
A trajetória de Lindomar Castilho tomou um rumo trágico na madrugada de 30 de março de 1981. Movido por ciúmes e inconformado com o fim do relacionamento, o cantor invadiu o Café Belle Époque, em São Paulo, onde sua ex-esposa, a cantora Eliane de Grammont, se apresentava. Armado, Lindomar disparou contra o palco, atingindo fatalmente Eliane, que tinha apenas 26 anos, e ferindo o violonista Carlos Randall. O episódio chocou o país e se tornou um dos crimes mais notórios da crônica policial brasileira.
Julgamento, condenação e o debate sobre a violência contra a mulher
O julgamento de Lindomar Castilho gerou intensos debates sociais e jurídicos. A defesa chegou a usar a tese da “legítima defesa da honra”, um argumento arcaico e hoje inconstitucional, que visava justificar o feminicídio. Condenado a 12 anos de prisão, o caso mobilizou movimentos feministas e escancarou a discussão sobre a violência doméstica no Brasil. Lindomar cumpriu parte de sua pena e obteve a liberdade condicional, chegando a gravar um disco na prisão intitulado “Muralhas da Solidão”.
O declínio, a tentativa de retorno e o isolamento
Após sua saída da prisão nos anos 90, Lindomar Castilho tentou retomar a carreira em 2000, impulsionado pelo sucesso de “Você É Doida Demais” na trilha sonora de “Os Normais”. Embora tenha mantido uma base de fãs leais, o estigma do crime impediu que ele recuperasse o prestígio de outrora. Nos últimos anos de sua vida, o cantor viveu de forma reclusa, longe dos holofotes, marcando o fim de uma jornada repleta de altos e baixos, de sucessos musicais inesquecíveis a um capítulo sombrio que o acompanhou até o fim.















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