Kremlin Nega Organização de Encontro Trilateral
O Kremlin negou neste domingo (21) a preparação de uma reunião trilateral envolvendo a Ucrânia e os Estados Unidos. A afirmação surge em meio a negociações que ocorrem em Miami, na Flórida, com o objetivo de encontrar um caminho para encerrar o conflito na Ucrânia, que se aproxima de seu quinto ano.
A possibilidade de um encontro trilateral foi levantada no sábado (20) pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que indicou uma proposta dos Estados Unidos para as primeiras negociações cara a cara entre Moscou e Kiev em cerca de seis meses. No entanto, o assessor diplomático da Presidência russa, Yuri Ushakov, declarou à imprensa que a iniciativa não está sendo seriamente discutida nem organizada.
Diálogos na Flórida e Proposta Americana
Enquanto Moscou desmente a articulação de um encontro direto, delegados ucranianos e europeus estão reunidos em Miami desde sexta-feira (19) para negociações mediadas pelo enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e por Jared Kushner, genro do ex-presidente Donald Trump. O enviado russo Kirill Dmitriev chegou à cidade no sábado para participar das discussões.
Zelensky, após revelar a proposta americana, expressou incerteza sobre o potencial de novidades e pediu aos EUA que aumentem a pressão sobre a Rússia. Contudo, no domingo, o líder ucraniano demonstrou mais otimismo, descrevendo as conversas entre negociadores americanos, europeus e ucranianos como “construtivas” e avançando em um “ritmo bastante rápido”. Ele ressaltou, porém, que o desfecho “muito depende de se a Rússia sente a necessidade real de pôr fim à guerra”.
Tensões e Perspectivas de Diálogo
Apesar dos avanços nas negociações na Flórida, que representam um passo significativo em relação à abordagem anterior de negociações bilaterais separadas, as relações entre Rússia e Ucrânia permanecem extremamente tensas. Moscou tem visto a participação de aliados europeus de Kiev como um obstáculo à paz.
O presidente russo, Vladimir Putin, manifestou disposição para dialogar com seu homólogo francês, Emmanuel Macron, sobre o conflito, conforme anunciado pelo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. O gabinete de Macron considerou essa disposição para o diálogo “bem-vinda”.
Contexto do Conflito
A última conversa oficial direta entre enviados ucranianos e russos ocorreu em julho, em Istambul. A Rússia intensificou suas conquistas territoriais na Ucrânia, controlando aproximadamente 19% do território. Zelensky relatou que, na última semana, a Rússia lançou cerca de 1.300 drones de ataque, quase 1.200 bombas aéreas guiadas e 9 mísseis contra a Ucrânia, com as regiões de Odessa e o sul do país sendo as mais afetadas.
A invasão em grande escala ordenada por Putin em fevereiro de 2022 foi descrita por ele como uma “operação militar especial” para desmilitarizar a Ucrânia e impedir a expansão da OTAN. Kiev e seus aliados europeus, no entanto, consideram a invasão uma apropriação ilegal de território sem provocação prévia.















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