Estou Pensando em Acabar com Tudo: A obra de Charlie Kaufman que desafia a mente e a percepção
Disponível na Netflix, Estou Pensando em Acabar com Tudo, dirigido por Charlie Kaufman, é uma experiência cinematográfica que perturba e fascina. Desde os primeiros momentos, o filme estabelece uma atmosfera densa e inquietante, acompanhando uma jovem em uma viagem à fazenda dos pais de seu namorado, apesar de suas próprias incertezas sobre o relacionamento.
Uma Viagem ao Labirinto da Mente
O que se inicia como uma visita familiar se transforma em uma jornada marcada por diálogos extensos e filosóficos, situações bizarras e uma sensação persistente de desorientação. Charlie Kaufman, conhecido por suas narrativas não lineares, brinca com o tempo e a memória, tecendo uma trama onde a realidade e a imaginação se entrelaçam de forma inextricável. Essa abordagem desafia o espectador, convidando-o a decifrar um complexo quebra-cabeça emocional e intelectual.
Cerebral, Sombrio e Profundamente Interpretativo
O resultado é um filme cerebral e sombrio, aberto a múltiplas interpretações. A montagem desconstrói a linearidade, transformando a obra em uma experiência sensorial e intelectual que mescla drama, suspense psicológico e arte experimental. A performance do elenco é fundamental para sustentar essa atmosfera única.
Atuações que Amplificam a Estranheza
Jessie Buckley entrega uma performance de vulnerabilidade e força em sua personagem principal. Jesse Plemons dá vida a um homem enigmático e introspectivo, enquanto Toni Collette e David Thewlis, como os pais de Jake, intensificam o clima de estranheza com atuações que oscilam entre o cômico e o perturbador, ampliando a sensação de desconforto que permeia toda a obra.
Surrealismo Visual e Temático
O surrealismo psicológico é acentuado pelo estilo visual de Kaufman. Imagens que desafiam a lógica, como o envelhecimento e rejuvenescimento dos pais, reforçam a estranheza. Elementos concretos do livro original são alterados, como a parada em uma sorveteria que se torna a fictícia “Tulsey Town”, completa com jingles e animações que amplificam o tom surrealista. Os temas centrais de solidão, arrependimento e a instabilidade da memória e identidade servem como veículos para essa exploração existencial.
Um Final Aberto e Performático
Diferentemente do livro, que oferece um final explícito sobre Jake, o filme opta por um clímax mais performático, teatral e musical. Essa escolha sugere a dissolução da identidade do personagem em um plano de fantasia, convidando o público a mergulhar em um labirinto emocional e filosófico. Kaufman prioriza uma experiência estética e aberta, em vez de uma revelação concreta.
Estou Pensando em Acabar com Tudo (2020) tem 134 minutos e é indicado para maiores de 14 anos. O filme está disponível na Netflix.















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