A polêmica em torno dos gramados sintéticos no futebol brasileiro ganhou novos capítulos nesta semana. Alvo de intensas críticas por parte de jogadores e clubes, como o Flamengo, as equipes que utilizam a superfície artificial em suas arenas emitiram uma nota conjunta defendendo a tecnologia. Palmeiras, Athletico Paranaense, Atlético-MG, Botafogo e Chapecoense uniram-se para rebater o que consideram “narrativas que distorcem a realidade”, reafirmando a posição em defesa do piso.
A União em Defesa do Sintético
A nota conjunta, divulgada nas redes sociais, sublinha que a adoção do gramado sintético é feita de forma responsável e regulamentada, alinhada às melhores práticas internacionais. Os clubes argumentam que é crucial reconhecer a falta de padronização dos gramados naturais no Brasil, e que direcionar críticas exclusivamente aos sintéticos simplifica um debate complexo de forma injusta e tecnicamente equivocada.
Eles reiteram que um gramado sintético de alta performance pode superar, em diversos aspectos, os campos naturais em más condições que são encontrados em grande parte dos estádios do país. Além disso, a defesa enfatiza que não há qualquer estudo científico conclusivo que comprove o aumento de lesões provocado pelos gramados sintéticos modernos.
Críticas dos Atletas e Dirigentes
Apesar da defesa veemente, o gramado sintético continua sendo alvo de protestos. O técnico Filipe Luís, atualmente no Flamengo, tem sido um dos porta-vozes da insatisfação. Em declarações recentes, ele questionou a proliferação de campos artificiais no Campeonato Brasileiro, argumentando que isso desvaloriza o produto e afasta espectadores internacionais. “Para a saúde dos atletas, o ideal é que eles joguem em gramados naturais de boa qualidade”, afirmou Filipe Luís, citando a excelência dos campos da final da Libertadores e dos estádios do Catar.
O Flamengo, em particular, tem liderado uma “cruzada” contra o sintético, defendendo publicamente o fim de seu uso em competições oficiais. O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista (Bap), considera que a grama sintética provoca desequilíbrio financeiro e prejudica a saúde dos atletas. O rubro-negro chegou a propor à CBF a inclusão da proibição do campo artificial no projeto de fair play financeiro, mas a ideia foi rejeitada pela confederação.
No ano passado, jogadores de destaque como Neymar, Thiago Silva e Lucas Moura também se uniram em um movimento contra o gramado sintético, lançando uma campanha nas redes sociais para que as partidas não fossem mais disputadas em pisos artificiais.
O Papel da CBF e o Futuro dos Gramados
Diante da crescente controvérsia, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) demonstra preocupação e planeja ações. A entidade formará uma equipe dedicada a discutir a qualidade dos gramados nos estádios, englobando tanto os naturais quanto os sintéticos. Uma das ideias em análise é definir novos parâmetros gerais e estabelecer um prazo para que os clubes se adaptem, com a oferta de incentivos.
Para o Campeonato Brasileiro de 2026, a presença de gramados sintéticos pode ser ainda mais ampliada. Além das arenas já conhecidas como Allianz Parque (Palmeiras), Nilton Santos (Botafogo) e Arena MRV (Atlético-MG), a Ligga Arena (Athletico Paranaense) e a Arena Condá (Chapecoense) também possuem piso artificial. O Vasco da Gama, com reforma prevista em São Januário, já tem mandado jogos no estádio do Botafogo, o que exemplifica a tendência de utilização compartilhada de arenas com grama artificial.
Os clubes defensores reforçam que o tema da qualidade dos gramados é legítimo e necessário, mas que deve ser conduzido com responsabilidade, dados objetivos e conhecimento técnico, evitando “narrativas que distorcem a realidade, desinformam o público e desconsideram a complexidade do assunto”.